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Aprendizagem

Fim dos ‘chumbos’ – O que prevê o plano de não retenção no ensino básico?

plano de não retenção no ensino básico

Afinal, em que consiste esta medida prevista no programa do Governo? Fique a conhecer medida que tem sido muito falada!

O plano de não retenção de alunos no ensino básico – do 1.º ao 9.º ano de escolaridade – é um dos assuntos atualmente mais debatidos por pais, professores e comunidade estudantil. Afinal, em que consiste esta medida prevista no programa do Governo?

Objetivo

A medida surge no sentido de incentivar e valorizar o estudo, de socialmente não penalizar nem estigmatizar os alunos que, por razões várias, apresentem mais dificuldades de aprendizagem, nem promover, pela via negativa, o desinteresse académico e o abandono precoce da escola. Um caminho que já vai longo e que até já substituiu os termos chumbo ou reprovação por um menos punitivo e de conotação mais positiva: retenção. A retenção, todavia, não deixa de promover o mesmo tipo de desinvestimento e de funcionar como castigo. O propósito das novas abordagens e modelos de pensamento sugerem a necessidade de uma atempada deteção de dificuldades particulares e de maior apoio individual aos alunos, de forma a que consigam compreender a matéria e perceber onde estavam a errar. O objetivo não é promover passagens administrativas – um cenário com o qual a Confederação Nacional da Associação de Pais não concorda –, mas antes desenvolver um trabalho de maior proximidade com os alunos em ambiente menos teórico. É ter meios e metodologias que permitam, atempadamente, levar todos os alunos a atingir os objetivos curriculares, o que implica maior ou menor apoio educacional adicional, conforme necessidades individuais. Neste cenário, uma retenção só será ponderada em casos extremos. O objetivo primeiro é valorizar todos os indivíduos com equidade e não permitir que nenhuma criança fique para trás.

Valorizar todas as competências

fim dos chumbos no ensino básico

Uma leitura do tecido escolar e da problemática do ensino mais permeável igualmente a uma avaliação que vai mais além do que a aquisição de conhecimentos teóricos e curriculares e que passa a contemplar outras competências. Além do nível académico atingido a cada nova etapa pelos alunos, são tidas em conta ainda capacidades várias, o que traz mais riqueza ao sistema de avaliação. Limitar a avaliação de um aluno aos resultados obtidos apenas em testes e exames não permite premiar o seu interesse e empenho, não valoriza outro tipo de trabalhos desenvolvidos e acaba por ser mais castrador e até mais falível. Todos reconhecem a pressão que existe quando tudo depende de um exame específico, para o qual até se pode estar bem preparado, mas que pode correr de forma desastrosa.

Desmistificar

O tema não é pacífico, havendo, por parte de alguns, de que a não retenção signifique a passagem de ano mesmo sem a aquisição necessária de conhecimentos, o que apenas atira mais para a frente o problema. Os defensores desta nova orientação fazem uma leitura mais progressista e inclusiva deste novo modelo, entendendo que havendo mais apoio, menos alunos ficarão para trás, e que havendo apoio diferenciado, todos terão igual oportunidade de aprender em função do ritmo e da passada de cada um. Por essa via, ainda, diluem-se diferentes pontos de partida socioeconómicos e culturais. Resta, para tal, que sejam disponibilizadas medidas pedagógicas e que seja feita uma revisão programática que permita numa mesma sala de aula essa diferença de ritmos de aprendizagem.

O que dizem os números

No estudo PISA, realizado em 2015 pela OCDE, a taxa de retenção dos alunos portugueses era de 31,2%, apenas ultrapassados por Espanha e Bélgica. Só no ano passado, em Portugal, e ainda que em menor número do que em anos anteriores, 50 mil alunos do ensino básico não passaram de ano.

Os exemplos que chegam de fora

Islândia, que contempla a progressão automática ao longo de toda a escolaridade obrigatória, Suécia, Dinamarca e Finlândia em que a retenção está contemplada, mas se aplica apenas excecionalmente, e Reino Unido, onde se obedece ao mesmo princípio são citados a títulos de exemplo. Os países nórdicos, exemplares a vários níveis, nomeadamente no plano das medidas sociais e educativas, apresentam baixas taxas de insucesso, ao contrário de Portugal, mas a diferença de protocolos pode justificar as discrepâncias estatísticas. Com recurso a mais ferramentas de avaliação, é possível dosear o mérito das várias vertentes, habilidades, talentos e competências de um aluno. Metodologia que subtrai ainda o fator ansiedade da equação, já que são conhecidos e inquietantes os dados sobre stress nos estudantes.

Aquilo que já sabemos e já fazemos

Medidas de âmbito nacional que visam uma realidade complexa, num universo que, à semelhança de outros, nem sempre se apresenta permeável à mudança. No St. Peter’s International School, a realidade, desde sempre, consiste no acompanhamento próximo de cada aluno e no apoio a necessidades específicas. Um compromisso académico de exigência e equitativo, inserido num universo educativo onde a família é chamada a participar e onde a aposta recai na formação global e abrangente dos alunos, no incentivo e desenvolvimento das suas várias competências e na promoção de um meio seguro, potenciador de felicidade e de rigor. Nele, competências académicas, sociais, inteligência emocional, capacidade de oratória, dotes artísticos e desportivos e o direto envolvimento com o meio são acarinhados e potenciados, pois o objetivo primeiro e final é o de capacitar todos os alunos com vista ao sucesso pessoal e à sua formação global enquanto cidadãos ativos e responsáveis.

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