ST. PETER'S INTERNATIONAL SCHOOL BLOG

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Sucesso Escolar

Ansiedade na sala de aula – complexo e de difícil diagnóstico

ansiedade na sala de aula

Por se ‘disfarçar’ habilmente de outros problemas – de índole comportamental (comportamentos disruptivos ou mesmo violentos), ou mesmo de natureza cognitiva (déficit de atenção ou dificuldades de aprendizagem) –, e porque cada pessoa responde a ela de forma diferente, a ansiedade nem sempre é atempada e corretamente diagnosticada. Tal como o nervosismo e o stress, que acometem os alunos em situações pontuais, como seja a véspera de exames, a ansiedade pode ser um bloqueador cerebral, impedindo a aquisição de novos conhecimentos e comprometendo o prazer na aprendizagem e até na saudável e necessária sociabilização. Turmas reduzidas, ambiente tranquilo e seguro, o elogio do esforço, um corpo docente atento e preocupado – exigências do St. Peter’s International School – ajudam a despistar a tempo um problema que pode ficar por conhecer e deixar sequelas para toda a vida. Mostramos-lhe em que comportamentos se pode estar a esconder a ansiedade e algumas das suas manifestações.

Os disfarces da ansiedade

  1. Aversão à escola

Não querer ir à escola, chorar quando os pais os deixam, ou, em alunos mais velhos, faltar à aulas e inclusive à escola, são comportamentos normais em crianças e jovens para quem a escola é fonte de ansiedade, local onde não se sentem confortáveis e relaxados, por vezes apenas devido ao receio do fracasso académico. Pode ainda ser um caso de ansiedade de separação, o qual é normal quando ingressam na creche ou escola pela primeira vez, ou no regresso às aulas após períodos de férias ou de ausência, mas que, quando não diluído no tempo, pode ser revelador de estados de ansiedade mais complexos.

  • Carência parental

Estar constantemente a ligar aos pais ou a aguardar um telefonema da parte destes também é indicador de ansiedade.

  • Mal-estar físico

Sempre que a mente se depara com grandes problemas para os quais não encontra solução, como é o caso da ansiedade, muitas vezes encontra saída em manifestações físicas recorrentes. Dores de barriga e de cabeça, vómitos, tensão muscular, rigidez ou falta de ar correspondem bem a episódios de ansiedade.

  • Desatenção e inquietação

Alheamento, mudanças constantes de posição na carteira, quase denotando desconforto físico, dificuldade de concentração, mesmo quando se é chamado à atenção, são alguns sinais, muitas vezes mal-interpretados. Esta falta de foco e interesse é real, mas pode apenas estar a ser comandada por um estado de ansiedade gerado por preocupações que ocupam todo o espaço da mente.

  • Problemas de comportamento

A enorme insegurança e constante preocupação, bem como a necessidade de se sentirem seguros, fruto de estados de ansiedade, pode provocar os mais diversos comportamentos, incluindo aqueles que primeiramente se tomam como mau comportamento, mera birra ou bullying. Movimentos repetitivos, barulhos irritantes, provocações ou a insistente repetição das mesmas perguntas e inquietações são disso exemplo. A incapacidade para lidar com emoções e sentimentos internos pode conduzir a respostas agressivas, comportamentos violentos e desviantes e brigas. Significa que a criança não tem controlo perante a enorme ansiedade que sente, a qual não compreende nem sabe explicar.

  • Pavor de responder perante a turma

Raciocínio preso, incapacidade de responder, coração acelerado e a sensação de quase colapso – exteriorizada, muitas vezes, por faces coradas, respiração ofegante e transpiração –, são sinais que estão mais próximo da ansiedade do que do desconhecimento da matéria.

  • Medo de falhar

Recear ficar malvisto, ter pavor de errar, duvidar das suas capacidades em matérias onde tem mais dificuldade ou que não entende bem podem estar na origem de uma aparente negligência nos estudos, quando é apenas a ansiedade a impedir que se tirem dúvidas e esclareçam questões.

  • Não cumprir tarefas académicas

A ansiedade cria dúvidas e incertezas, mais ainda em indivíduos que tendem a agir com vista à perfeição. Por vezes, falhar um projeto escolar ou não fazer os trabalhos de casa são mais sintomáticos do receio de que não se conseguiu fazer o melhor que se podia ou devia, do que de preguiça ou falta de interesse. Muitas vezes, foi feito, bem feito e depois rasgado.

  • Isolamento

O medo da crítica, do julgamento alheio, de não serem aceites pelo grupo, ou a ideia de que não são divertidos nem queridos pelos outros – porque se acham diferentes ou menos interessantes do que os colegas – é impeditivo de uma boa sociabilização e resulta em autoisolamento e na recusa de participar em atividades de grupo, académicas ou lúdicas. Não por não o desejarem, mas por não se sentirem capazes e à altura.

As várias faces da ansiedade

  1. Ansiedade de separação – Medo injustificado de ficar longe de pais ou educadores.
  2. Ansiedade social – Excesso de autocrítica, que impede a normal e natural partilha de atividades com os seus pares, em ambiente de sala de aula ou no recreio.
  3. Mutismo seletivo – Quando o estado de tensão é tal que não conseguem falar na presença de determinada pessoa (professor, colegas mais velhos…) ou em certos ambientes.
  4. Ansiedade generalizada –Persiste uma preocupação constante e generalizada, condutora de desejos de perfeição e alta performance, que comprometem seriamente a capacidade de ser funcional. Na ânsia da perfeição, muitas vezes, nem alcançam o suficiente, mais por ineficácia do que por falta de conhecimento e vontade de tentar e conseguir. A preocupação acerca do que pode correr mal sobrepõe-se aos níveis de confiança.
  5. Transtorno obsessivo-compulsivo – Níveis de ansiedade incontroláveis são geradores de comportamentos compulsivos, ritualizados e repetidos à exaustão, normais quando se tenta aliviar a pressão.
  6. Fobias – Medos descontrolados e irracionais podem ser fruto de estados de ansiedade.

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